|
|
|
01/03/2005
ATIVIDADE FÍSICA DIMINUI O RISCO DE DOENÇA DE PARKINSON
O Dr. Rafael de Souza Trindade é médico do esporte, Mestre em Ciências do Movimento Humano pela UDESC, Doutorando em Endocrinologia pela Escola Paulista de Medicina - UNIFESP, especialista em Controle de Doping pela WADA e em Cineantropometria pela ISAK. Desenvolve a função de consultor científico pela Probiótica desde agosto de 2004.
ATIVIDADE FÍSICA DIMINUI O RISCO DE DOENÇA DE PARKINSON
Estudos comparando pessoas sedentárias e ativas já confirmaram a influência do hábito de exercício freqüente com diminuição da chance de aparecimento de diversas doenças, dentre elas a diminuição da mortalidade global e cardiovascular, diabetes, obesidade, câncer de intestino, hipertensão arterial e osteoporose, entre outros. Recentemente foram obtidas fortes evidências na diminuição do risco de Mal de Parkinson a partir do hábito de realizar exercícios físicos, como a seguir.
Estudo publicado em fevereiro de 2005 pela respeitada revista científica NEUROLOGY (Chen H, Zhang SM, Schwarzschild MA, Hernán MA, Ascherio A. Physical activity and the risk of Parkinson Disease. Neurology 2005;64:664-9), através da análise longitudinal de dezenas de milhares de pessoas nos EUA, evidenciou uma relação inversa entre nível de atividade física e surgimento de mal de Parkinson. O trabalho realizado foi estudo-coorte, um tipo de estudo onde há alto nível de evidência, isto é, que possui um alto grau de confiança nos resultados.
Foram analisados de forma longitudinal e a cada 2 anos, 48574 homens (40 a 75 anos) e 77254 mulheres (30 a 55 anos) através de questionários cientificamente validados, a contar do ano de 1976 para mulheres e 1986 para homens. Vários fatores de risco foram levados em consideração, como dieta, status de saúde, tabagismo, dados cineantropométricos (medidas corporais) e surgimento de sintomas de mal de Parkinson comprovados por neurologistas. Pacientes com câncer, mal de Parkinson e acidente vascular encefálico (derrame) foram excluídos do estudo.
O nível de atividade física foi analisado segundo as horas semanais dedicadas, o gasto calórico estimado em cada atividade e o número de meses dedicados por ano a estas atividades.
RESULTADOS:
Durante o seguimento médio de 25 anos, foram diagnosticados 252 casos de mal de Parkinson entre os homens e 135 casos entre as mulheres.
Homens que tiveram atividades físicas intensas por 10 ou mais meses por ano, no período escolar e a faixa etária de 30-40 anos diminuíram o risco de aparecimento de mal de Parkinson em 60% em relação ao grupo com atividades presentes em 2 ou menos meses por ano.
Mulheres que foram fisicamente ativas quando adultas jovens, tiveram tendência de diminuição do risco de sofrerem de Mal de Parkinson. A análise estatística não evidenciou diferenças entre este grupo e o grupo de realizava apenas atividades leves, mas ainda assim houve uma tendência de diminuição do risco.
Homens reduziram seu nível de atividade física 12 anos antes do diagnóstico da doença, e as mulheres, 2-4 anos.
DISCUSSÃO:
Exercícios físicos induzem a uma maior secreção de fatores neurotróficos ligados à glia, que tem influência positiva e neuroproterora na sobrevivência e na neuroplasticidade de neurônios dopaminérgicos. Também reduzem a relação entre transportadores de dopamina e transportadores vesiculares de monoamina, o que reduz a susceptibilidade de neurointoxicação e oxidação citosólica de dopamina. A atividade física também aumenta a secreção de dopamina no núcleo estriado.
A diminuição do nível de AF verificada previamente ao diagnóstico da doença pode estar associada com sintomas não percebidos pelos pacientes. A fadiga que a doença traz está associada com uma diminuição do número de mitocôndrias musculares e também perda de neurônios dopaminérgicos pelo sistema nervoso central, o que pode ter induzido à diminuição da atividade física apresentada no período pré-diagnostico do Mal de Parkinson.
Previamente ao diagnóstico da doença, houve também perda de peso não justificada por alterações no valor calórico total ingerido ou ao nível de atividade física realizado. Especula-se que a diminuição no metabolismo pode ter causado esta alteração ponderal.
CONCLUSÃO:
O hábito de praticar exercícios físicos de forma intensa, por um período igual ou superior a 10 meses por ano, durante a vida escolar e na vida adulta (jovem) diminuiu a incidência de Mal de Parkinson em homens e mulheres.
|
|
|
|
|
|
|
|
|