17/03/2006
O que está por de trás (e em torno) das dores.
Sou terapeuta corporal e massagista há 20 anos e a palavra que mais ouço, disparado, é DOR. Graças ao bom Deus, ela existe!
Vamos por partes.
Apesar de ser vista como O PROBLEMA, a dor não é o problema. Ela é uma sinalização, ou como os médicos falam, um sintoma. E quando não é o mais importante, é o mais barulhento!
Costumo comparar a dor com uma campainha de casa. É ela que escutamos, mas não é ela que está à porta. Existe alguém à porta. Quem será? O que quer? Eu conheço? Vai entrar ou não? Se entrar, vai ficar muito tempo ou não
Enquanto eu não respondo essas questões, a única coisa que existe é uma campainha. Tocando. E, dependendo do momento ou da hora ou da insistência, ela vai me incomodar profundamente. Mas tem alguém a porta querendo me dizer ou mostrar ou partilhar algo.
Assim, voltando à questão da dor como sintoma, sabemos que é melhor ter um processo, ou como se diz uma doença ou patologia, sintomática que uma assintomática. Pelo menos, temos a opção e a oportunidade de tratá-la.
Por isso, determinados tratamentos de saúde evitam interferir em manifestações de dor antes que se identifique o processo e se estabeleça o que fazer.
Certas dores funcionam como fator de proteção à lesões que podem se agravar se cuidados imediatos não forem tomados.
As dores também são muito úteis em tratamentos alternativos.
Por exemplo, em um trabalho corporal, onde se mobilizam basicamente recursos naturais do próprio organismo, a dor funciona por um lado como sinalizador de pontos ou regiões a serem tratadas e, por outro lado como um “gatilho”, um acionador de reações. Explico: quando o sintoma – no caso a dor – ultrapassa o que chamamos limite de tolerância ou de normalidade, o organismo aciona reações das mais diversas – químicas, térmicas, mecânicas, elétricas, a partir de um ou mais sistemas tais como: o nervoso, endócrino, circulatório, imunológico etc.
Assim, é possível por em movimento processos crônicos ou abreviar o tempo de um processo em andamento pela manipulação deliberada dos níveis de dor, criando situações artificialmente favoráveis ao estabelecimento de reações por parte do organismo.
Em outras palavras, trabalhos com manifestações de dor podem:
· Tornar um processo assintomático em um sintomático e portanto, tratável por profissional adequado;
· Tornar um processo crônico em agudo com abreviação de duração e seqüelas;
· Normalizar os níveis de tolerância, permitindo ao organismo respostas mais econômicas e eficazes em fases iniciais dos processos.
Assim, é normal que depois de uma sessão de trabalho corporal a sensação de dor aumente para, um ou dois dias depois, ceder quase que ou totalmente.
De qualquer forma, aqui vai uma dica para a hora da dor. Normalmente quando alguém sente dor a respira fica curta, quase que suspensa. A dica é solte o ar, expire, devagar. Inspire menos e expire mais. Veja como a dor começa a diminuir. Experimente!
Saúde a todos,
André Kfouri
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